“O problema é que você está em todo lugar. Você está nos sms que não tenho coragem de apagar, na blusa que eu usava da última vez que te vi, naquela frase clichê de Clarice Lispector, no gloss que eu uso e você odeia porque é muito “melequento”, nas letras das músicas de Soulstripper, nas páginas do meu diário, na mancha roxa meu pescoço, no banco da praça que a gente costumava sentar, nas indiretas que eu posto no facebook, nas músicas que ouço antes de dormir, no sorriso em meu rosto e nas minhas lágrimas também, até nos meus sonhos você insisti em aparecer. Aonde quer que eu vá, algo me lembra de você, mas que droga! Mania de me dominar quando nem eu mais tenho domínio de mim mesma. Ás vezes até te “esqueço” por alguns momentos. Olhando bem nos olhos daquele gato na balada, e quando eu percebo que ele também está afim arrisco um sorrisinho de leve, ele se aproxima, e aquele carinha dos olhos cor de mel consegue fazer meu coração palpitar como eu não sentia a muito tempo (desde a última vez que te vi), ele chega mais perto, ai eu sinto aquele perfume, o seu perfume, mas que porra é essa cara? E logo as borboletas morrem no meu estômago, e sinto uma coisa bem pior, aquele aperto no peito, que eu bem conheço, saudade, saudade de quando você me abraçava por trás e me dava um beijo no pescoço que me arrepiava da cabeça aos pés, saudade daquele perfume inconfundível, que convenhamos o cheiro fica ainda melhor em você. E logo meu paquera da balada perdeu totalmente a graça. Ele pode ser tudo, mas falta uma coisa. Aliás, sempre falta alguma coisa, tem caras fofos, bonitos, românticos e até com cara de galã de novela de horário nobre, mas eles não são você, nenhum é e nem vai ser, e esse é o problema. E eu vou pra casa de novo, e mais uma noite, ou melhor mais uma tentativa de te esquecer, fracassou, se novo. E o que me resta? Deita a cabeça no travesseiro e chorar? De novo? Te mandar um sms que eu sei que você vai e ignorar? Ou te ligar (com número confidencial) só pra ouvir sua voz? Não, sei que só vai doer mais. Mas já tá doendo tanto cara, nem sei se cabe mais dor em mim. A primeira opção me parece a melhor, ou talvez a menos pior, na verdade a única que me resta. E quando me dou conta já estou derramando mais lágrimas, por você, de novo, e é lá debaixo daquele cobertor, a porta trancada e as lágrimas rolando em meu rosto, é naquele momento que eu mais preciso de você. Dos seus braços firmes e quentes ao redor de meu corpo apenas me dizendo que tudo vai ficar bem, porque eu sei que ficaria, se você estivesse lá eu não tinha mais motivos pra ter medo. Só que eu sei que você não está lá. Você nunca vai estar. E sabe, agora eu sei, é isso que mais dói, pior do que a saudade é a certeza que nunca vou te ter de volta. Paro por um segundo e decido vou te esquecer, não posso mais ficar nessa situação e… Acende o visor do meu telefone, olho com as mãos tremendo e o coração quase saindo pela boca, o número não está salvo na agenda, mas igual ao seu perfume, eu reconheceria em qualquer lugar, é você, a mensagem é curta “sinto sua falta”, de repente esqueço tudo que você me fez, e sem querer se forma um sorriso em meus lábios. Meu Deus, porque o amor nós faz tão idiotas?”
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